Coragem, né? Tem gente que tem coragem.

12.5.18

Imagem por Goumbik, sob licença Creative Commons.


— Não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo! — vociferei correndo pelo apartamento como uma louca, o sangue fervia no rosto, estava a ponto de estrangular qualquer um que ousasse aparecer na minha frente. — Como você pôde, Fernandinha?! — gritei mais uma vez não escutando nenhuma reação da dita cuja.

Corri tão rápido a buscando que os meus cabelos voavam com aquele tufo de vento que eu havia criado. Ela era uma traíra, essa era a verdade; e eu a pegaria com a boca na botija!

— Ficou louca, Susana? Eu estou aqui plena, não fiz nada. — Apontou para si mesma mostrando o quão relaxada estava naquele sofá, sua máscara de hidratação verde a deixava mais suspeita.

— Mentirosa! — Agarrei em seu braço e a puxei com força. As coisas não vão ficar assim não. — Foi você, não foi? Eu sabia que não podia confiar em você, eu avisei, Fernandinha, eu avisei.

Cruzei os braços ao olhar para a sua expressão de mosca morta. Ela era a única pessoa que tinha acesso, esteve aqui o dia inteiro, só pode ter sido ela e é claro que eu, como uma boa detetive mirim, descobriria a verdade.

— Já falei que você ficou maluca, eu nem sei do que você está falando.

— Você sabe muito bem, sua duas caras! — Apoiei os braços na cintura e estufei o peito para impor respeito.

— Susana, é aquela época, não é? — Assenti com a cabeça, é claro que ela já sabia, impossível de não saber.

— Onde está? Não esconda de mim, Fernandinha. Eu estava guardando especialmente para hoje e você roubou!

— O que era? Uma calcinha especial, um sabonete anti-acne ou uma lata de leite condensado? Eu não sei! Não peguei nada que não fosse meu. — Ela teve a coragem de me olhar nos olhos ao dizer tudo isso. Já nem sei mais com quem eu moro, que decepção, Fernandinha.

— Então você achou que era seu? Bom saber que eu compro as coisas e é você quem se apodera delas.

Agarrei uma das almofadas e joguei em seu rosto, no minuto seguinte, nós já estávamos em uma guerra de travesseiros e puxões de cabelo. Vi a Marilyn Monroe versão pelúcia voar na minha direção e esquivei jogando o meu Elvis Presley cabeçudo nela. Pulei em cima da poltrona e dei um grito que o próprio Tarzan se orgulharia. Eu não deixaria barato. Saltei para o chão e agarrei seu cabelo, Fernandinha puxou o meu braço, mas não conseguiu me deter. Ela teria que dizer a verdade, querendo ou não.

Passei a mão pelo seu rosto, tirando metade daquela máscara nojenta que ela colocava para hidratação, como resposta, ela pegou a tigela em que havia preparado a mistura e jogou no meu cabelo. O frio dos pepinos triturados escorreu pela minha testa e aquela gosma verde impregnou a minha vista, depois dessa o meu cabelo nunca mais seria o mesmo.

— FERNANDINHA. Eu não acredito nisso, sua traíra! — Cerrei minhas mãos em punho e saltei em cima dela, nós duas nos engalfinhávamos no chão da sala, depois dessa, o carpete também não seria mais o mesmo.

O cheiro de pepino azedo nos perseguiria por meses.

— Nossa, eu saio para comprar umas coisas e vocês começam uma luta na lama, sem a parte legal que é lama? — João estava parado na porta do apartamento, segurando uma sacola cheia daquilo que me pertencia.

Encarei a Fernandinha desacreditada, sua boca havia despencado e o meu rosto enrubesceu, havia sido ele esse tempo todo.

— Coragem, né? Tem gente que tem coragem. — Ela negou com a cabeça e eu grunhi na direção dele.

Ninguém, mas ninguém mesmo, rouba o meu chocolate em época de TPM.

Dessa vez o texto não faz parte da blogagem coletiva e sim de um dos desafios maravilhosos da Ane! O desafio era criar algo em base nessa imagem aqui (juro que tentei fazer o meu melhor hehehe):



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