Com a caneta na mão...

1.8.18

Foto por coyot, sob licença Creative Commons.


Silêncio em meio à escuridão.

Eu não fazia a menor ideia de onde estava e me recusava a abrir os olhos, nada parecia normal naquela imensidão incógnita que eu sentia por dentro.

Era o medo. O medo do nada, o medo do silêncio, da falta de vida.

Tateei pelo chão, buscando por algo que nem fazia ideia do que era, aquilo que saciaria a sede do desconhecido.

Um corpo vazio ansiando por vida.

Depois de tanto insistir naquilo que não podia ver, decidi abrir os olhos, um de cada vez. Uma luz forte e radiante entrou em contato com a minha córnea e finalmente a realidade se mostrava à minha frente.

O mundo que eu havia criado em minha mente não existia.

O chão, as paredes, o teto... Tudo era uma imensidão de nada, um quarto branco e vazio, sem começo ou fim. Um papel branco gigante que me cercava com sua vastidão imponente, quase à beira da loucura.

Caminhei no meio do nada, sentindo o vazio que precisava ser preenchido. Minhas mãos formigavam em uma sensação estranha enquanto meus bolsos ficavam cada vez mais pesados. Escondi as palmas das mãos no tecido ameno e, entre aquele emaranhado de fios, encontrei uma caneta abandonada.

Encarei sua ponta preta, a tinta tangível e penetrante. O branco à minha volta implorava por algo que pudesse destacar-se em sua constante monotonia. Meu cérebro estava a ponto de explodir, havia algo dentro de mim que queria sair e criar coisas que só pareciam existir para mim.

E com a caneta na mão, rabisquei por céus e infernos, pintei paredes e montanhas. Vi o mundo tomar cor ao meu redor enquanto a escuridão se afastava gradativamente até sumir em um simples borrão qualquer.

Preenchi as paredes de vida, com cada pedaço da minha alma, onde as paredes haviam se transformado na minha maior obra prima.

As palavras, as imagens, os rabiscos descartados.

Tudo aquilo era parte de mim, parte do meu mundo. Mas ainda existia um impulso no meu corpo, algo que fazia com que eu quisesse seguir, as paredes daquele lugar já não eram o suficiente para a infinidade de pensamentos que habitavam o meu ser.

Desenhei uma porta que me levaria para lugares que eu nem sequer poderia imaginar, mas sabia que minha história estava apenas iniciando e não precisaria de mais nada para escrevê-la do que uma simples caneta na mão.




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