Minha carta ao Papai Noel

23.12.18

Imagem por KostkaCZ, sob licença Creative Commons.


Querido Papai Noel,

Faz anos que eu não escrevo para você. Talvez o meu último pedido tenha sido uma Barbie, uma daquelas colecionáveis, que eu tanto desejava para completar a minha coleção.

O pedido desse ano quiçá não seja tão material quanto dos outros.

Sabe, Sr. Noel, a gente cresce e passamos a valorizar outras coisas, experimentamos muito mais e descobrimos que nem sempre é um objeto que nos trará a felicidade. A vida de adulto é difícil e não disfrutamos tanto quanto antes, acho que esquecemos de como divertir-nos, ficamos chatos. E os tempos em que vivemos exigem isso, ser sérios, assumir responsabilidades.

O problema, Noel, é que os adultos às vezes agem como crianças mimadas, e essas briguinhas geram guerras e desastres que não só afetam a eles como todos ao redor, o preconceito também é outra coisa séria que precisávamos discutir, mas sei que o senhor não tem o poder de mudar o mundo, isso depende de cada um de nós, é a nossa luta e vamos continuar lutando por um futuro com menos injustiças, apesar de existirem pessoas cegadas pelo ódio.

Enfim, sabe o que eu quero esse ano, Noel?

Tempo

Quero ter mais tempo para aproveitar com o meu amor.

Tempo esse valioso que passa em um piscar de olhos e tira o nosso fôlego.

Quero que certos momentos durem por uma pequena eternidade, como quando estou em seus braços e ele acaricia meu rosto ao trocar olhares sonhadores. Quero que o senhor pare o tempo quando ele me abraça e eu me sinto em casa, quando falamos dos planos para o futuro ao imaginar tudo o que podemos construir juntos, ou quando trocamos palavras de amor entre carícias.

Também quero mais tempo com a minha avó, poder matar saudades de cozinhar ao seu lado e de caminhar nas tardes de verão. Quero poder olhar em seus olhos e que ela não se esqueça de nenhum momento que passamos juntas ou sequer do meu rosto.

Quero tempo para falar com os meus amigos e lembrar das aventuras que tivemos na adolescência tão misteriosa e cheia de descobertas. Queria falar também com as minhas primas que tanto cresceram nos últimos tempos e eu não pude estar lá para vê-las conquistar um pouco do mundo a cada dia.

Sabe outra coisa que eu quero, Noel?

Que a vida seja mais leve, sem pressões, exigências, cobranças, estas que nos são impostas desde jovens e resultam no mal do século. Às vezes não precisamos ser grandes doutores para sermos felizes, talvez devêssemos aprender com a simplicidade. Por isso também peço que você abra os olhos e a mente das pessoas para a felicidade que as espera, que eles parem de preocupar-se com a vida alheia e busquem pelo autoconhecimento.

Pedir por amor é clichê, mas talvez assim as pessoas passem a respeitar as outras e entender as diferenças. Para que possamos viver em um mundo mais em paz.

É só isso o que eu peço, não precisa de laços ou embrulhos de presente. Que eu seja capaz de sentir tudo isso, já é o suficiente.

Obrigada Papai Noel,
Ayumi.

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